quinta-feira, 20 de maio de 2010

Elizabethtown







Foi assim que nasceu esse post: conversando com uma amiga. Perguntei à ela se já havia assistido Tudo acontece em Elizabethtown. Ela me perguntou por quê e o que tinha no filme. Eis a minha resposta:

“Tem o Orlando Bloom; tem a Kirsten Dunst; tem uma história bonitinha; tem uma trilha sonora cute e variada; uma das melhores cenas, na minha estúpida opinião extremamente romantizada; tem alguns diálogos incríveis. Além de ser um dos meus filmes preferidos, e que eu não tenho a menor vergonha de admitir mesmo não sendo cult/filosófico/alternativo.”

E é assim mesmo. Pra mim, Elizabethtown É um dos melhores filmes. Não entro nos méritos técnicos porque disso eu pouco entendo, mas o roteiro dele é bom, os personagens são bem construídos, as cenas são bem feitas, a atuação é boa e eu, até hoje, não achei nenhum erro grotesco de continuidade. Isso já torna um filme bom!

A história é “simples”: Drew Baylor (Bloom) é designer de tênis e seu último invento, que parecia genial, foi um fiasco. Depois de demitido, Drew chega em casa decidido a se matar. Quando está quase lá, recebe um telefonema contando que seu pai havia falecido. Ele, então, fica encarregado de ir à Elizabethtown, sua cidade natal e onde o pai estava, para “buscar o corpo”. Na viagem, ele conhece Claire Colburn (Dunst), uma aeromoça tagarela e sociável (até demais). Durante a estada na cidade, Drew tem tempo suficiente para repensar sua vida, sua carreira e suas escolhas. The end!

Não é uma história brilhante, mas é uma montagem bem feita. E o que me atrai no filme é a personagem de Dunst. (Kirsten Dunst por si só já é uma boa atriz. Não bastando, minha diretora preferida gosta muito de trabalhar com ela, e a combinação resulta em filmes muito bons.)

Claire é uma pessoa que consegue ser, ao mesmo, tempo sonhadora e realista. Ela vira a noite conversando ao telefone com um cara que acabou de conhecer (me vi nessa cena), sai e vai encontrá-lo no meio do nada (me vi nessa também :B). Mas, em um dos diálogos mais bonitinhos do filme, recusa um “elogio aleatório”.

Drew: You’re kind of great, Claire. You do know that. Sort of amazing, even.
Claire: Oh, come on! I don’t need an ice cream cone.
Drew: It’s not an ice cream cone. What’s an ice cream cone?
Claire: You know. “Here’s a little something to make you happy. Something sweet that melts in five minutes.”

Mais ou menos acontece que ele a elogia e ela diz que ele não precisa jogar confete saca? (jeitinho abrasileirado)
Claire é doce e, ao mesmo tempo, firme. É prática e romântica. É auto-confiante e carente. Não que essas características não possam co-existir, mas me aparece antagônico. Ou melhor, o fato dela demonstrar características tão contrárias, acaba sendo uma contradição. A pessoa pode ser auto-confiante e carente, mas, em geral, ela só demonstra a auto-confiança.
Ok, Claire é minha heroína, ídola e um monte do que eu queria ser (assim como outras personagens de Dunst). Créditos ao roteirista, que soube desenvolver bem diálogos, cenas e personagens.

Voltando à citação acima em negrito, Acontece o seguinte: após o diálogo travado entre Claire e Drew (Orlando Bloom) sobre “ice cream cone”, ela decide compartilhar uma teoria com o novo amigo. Segundo ela, eles são “pessoas substitutas“. Uma pessoa substituta é aquela que, nas novelas, é representada pela melhor amiga da principal, aquela que tem seus momentos, mas – em geral – permanece sempre à sombra de alguém maior ou, simplesmente, tem o destino de só se dar mal (e ainda assim permanece sorrindo, seguindo a vida, sem grandes dramas).Mas eu penso que ser substituto não é algo, necessariamente, ruim. Se for prestar atenção, é fácil perceber que, em algum momento, o substituto rouba a cena e conquista o público. Pode não durar “pra sempre”, mas deixa sua marca. O suficiente para que alguém se lembre e escreva sobre eles. Entende como?
Sei muitas falas do filme de cor. Decoradas. Guardadas no CORação.
Tudo Acontece em Elizabethtown é o filme do LEMBREI DE VOCÊ QUANDO VI !!!!
Eu vi na estréia. E depois só concordava: É.
A protagonista fala. FALA MUITO. FALA SEM PARAR. Ponto pra mim.
A protagonista a certa altura do filme, declara: EU SOU UMA PESSOA SUBSTITUTA. Bingo.
Aquela que ocupa um lugar especial. Que marca. Que define. Que determina. Que ocupa momentaneamente, Que SUBSTITUI.
Ela também MONTA COISAS. Prepara. Cria. Recorta. Cola. Define músicas. Estabelece trilhas sonoras.Conquista.
Claire (a EU do filme), declara: Faça as pessoas se perguntarem porque você ainda está sorrindo.

Drew : You know, there is nothing greater than deciding in your life that things maybe really are black and white! And this guy Ben, who clearly takes you for granted, who serially takes advantage of you, is bad! And what I'm saying is good! See what I mean? You shouldn't be the substitute for anybody. This guy should be right here, right now, doing this
[kisses Claire]
Claire : Most of the sex I've had in my life was not as personal as that kiss. I'm going to miss your lips. And everything attached to them.


Claire: Por que você vive me dando fora se a gente nem está junto?
Drew: A gente não está junto?
Claire: Não! Somos pessoas substitutas, esqueceu?

- Tudo Acontece em Elizabethtown

É por aí.
xoxo

2 comentários:

  1. tamo junto,pelo menos por aqui:\
    :*

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  2. :) Simplesmente maravilhos este filme, faz parte do meu top ten de filmes, o primeiro e o Crazy/Beautiful :)

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